quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Centro do Mundo.

Assistindo ao filme "Taking Woodstock", não me lembro o título do filme em português, me deparei com a idéia de centro do mundo. O filme não trata sobre o centro do mundo, mas de um momento onde um evento transformou um lugar desconhecido, pequeno, no palco do festival mais emblemático de todos os tempos. O lugar, uma cidade pequena, poderia ser a casa de qualquer um dos milhares de jovens presentes naquele festival surreal. No entanto, cada qual espalhado na sua cidade interiorana jamais conseguiria tamanho efeito que todos conseguiram se encontrando num mesmo plano, num mesmo lugar. Esse encontro de "hippies" fez daquela pequena cidade o centro "existencial" da cultura norte-americana. Ao mesmo tempo, vendo absorto todo aquele cenário de transformação do cotidiano de uma família perdida naqueles arredores, onde o filho estava preso naquele lugar retrógado por amor aos pais e por pura magia conseguiu levar a si mesmo para aquele lugar através do Woodstock. Um cenário completamente simbólico, ao contrário do que acontece na maioria dos casos, naquele momento ele trouxe a liberdade para a casa, não precisou sair. Junto aos outros milhares de jovens pode criar um ambiente, uma sintonia de valores que não foram aplicados por coerção, discursos, instituições, mas pela experiência de estar juntos no mesmo lugar, criando ritos totalmente contrários aos convencionais. Claro que todo filme possui esse ar de idealização, mas em essência isso realmente aconteceu naquela fazenda. Muitos tratam pejorativamente aquele momento, revelando que tudo não passou de um movimento de doidões afundados em ácido, sexo livre e rock and roll. Eu não vejo desse modo, vejo um momento profundo da cultura norte-americana, onde o novo olhou para o velho e seguiu o seu caminho. Houve excessos, mas isso não é o importante. O importante é quando o novo transformou-se no centro do mundo e passou a ser incorporado por ele. Aqueles valores eram reais e estavam sendo externados, vividos até suas ultimas conseqüências. Por isso fica tão claro a personagem principal quando um daqueles hippies diz que ele é o centro do universo. Em fato, naquele momento mesmo parecendo uma das viagens mais loucas proporcionadas pelo ácido, aquele garoto era, sem dúvida, o centro do universo como todos os outros que ali estavam compartilhando os mesmos sentimentos no mesmo lugar e ao mesmo tempo.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eleições.

As eleições estão chegando. Até o debate promovido pela Record, eu estava um pouco apático, neutro. Mas logo após constatar o baixo nível do pleito desse ano e me deparar com uma candidata tão marionete quanto Dilma Roussef, resolvi me envolver mais. Ela é um dos quatro candidatos que em nenhuma hipótese terá o meu voto e por que? Primeiro, ela não possui nenhuma personalidade política, pegou carona na popularidade de Lula, ou seja, ela está a sombra de Lula. Portanto, não é o histórico dela que conta na hora em que os eleitores a escolhem, mas o carisma de Lula e o histórico positivo desses oito anos de governo lulista. Segundo, ela é uma candidata fabricada por Lula. Terceiro, para mim, a maior parte da popularidade do presidente e seu governo advém da boa estratégia de marketing que foi instaurada em seu governo, o Brasil não progrediu tanto assim nesses oito anos. Quarto, o partido da estrela é o que mais aparelha o Estado e o que mais usa do fisiologismo para formar alianças partidárias e tornar o país governável. Quinto, o PAC elaborado por Dilma não passou de projetos e papéis nesses últimos anos, tendo feito muito pouco pelo país. Sexto, ela nunca teve experiência como governante, não tem idéia do que é enfrentar pressões partidárias e pressões populares, nunca pleiteou a nada e sempre participou das administrações através dos cargos de indicação ou comissionados. Sétimo, ela não tem carisma. Oitavo, os companheiros de campanha dela não são confiáveis. Portanto, esses são os oito motivos que carrego para fazer campanha contra Dilma Roussef.
No domingo, eu quero sim um país com menos gente metendo a mão no dinheiro do povo. Mais transparência nas relações institucionais, menos fisiologismo, menos corrupção, mais equidade entre os setores sociais e menos privilégios. Por isso, o número treze está descartado da minha urna eletrônica.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Vinte e sete anos.

Estou prestes a completar vinte e sete anos. Inacreditável. Lembro quando eu tinha quinze anos e resolvi imaginar como o mundo seria e o que eu estaria fazendo quando eu completasse vinte e cinco anos. Aos vinte cinco eu imaginava estar empregado na área em que me formei, namorando, morando fora e tendo um certo tipo de autonomia e distância dos meus pais. Nada disso, eu estou trabalhando, mas não sou empregado. Sou empresário e jamais tive pretensão em empresariar qualquer tipo de coisa a não ser a idéia de montar um barzinho de rock aqui em Ribeirão Preto. Eu imaginei várias coisas que não aconteceram, mas isso evidencia a complexidade dos rumos que a nossa vida pode tomar. Temos pouco controle sobre o futuro e não acho isso algo desesperador. É interessante saber lhe dar com as circunstâncias que vão aparecendo e aos poucos ir construindo o seu próprio caminho. Nada é como imaginamos e nisso está a beleza do mundo e da realidade. Aos vinte e sete anos tenho muitos motivos para comemorar. Principalmente o crescimento espiritual dos últimos anos após ter me formado. Aprendi várias ensinamentos da vida e aprendi a jogar as peças nesse tabuleiro de vaidades. Ainda me consome as reflexões sobre a vida, mas não me sinto mais num beco solitário a espera de companhia e redenção. Nem me sinto impotente no pequeno barco em que navego, desafiando ondas e as vencendo dia após dia. Hoje sou o que sou por todo esse caminho onde meus pés uma hora andaram, outrora correram e algumas vezes ficaram parados. Vinte e sete anos, quem diria.