o que a poeira não pode encobrir
Há muito estou aqui, sentando, prostrado, em pé, andando de lá e pra cá, na tentativa de fazer com que dos meus dedos saiam palavras, idéias, teorias, resmungos, qualquer coisa que se faça digna de ser passada a diante. Nesse mundo de conexões, palavras industrializadas, excessos, garimpar dentro de si o que é importante torna-se uma ação diária, constante. Vamos ver no que isso vai dar.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Maria Bethânia ganha 1,3 milhões de reais pra criar um blog.
Para o Brasil virar um circo completo falta apenas encobrir todo o país com uma lona. Imagine agora que a célebre cantora baiana Maria Bethânia irá receber um milhão e trezentos mil reais para criar um blog. O meu pequeno blog que não contribui em nada para melhorar a cultura do país é mantido sem nenhum apoio governamental, ou seja, tudo que o sustenta são os oitenta e nove reais que eu pago para a NET, e isso inclui o governo, já que nesse boleto mensal está embutido a taxa de impostos, para ter acesso a internet e com isso acesso ao blog. Eu, um mero comerciante, um zé ninguém em termos econômicos, consigo manter esse blog com a minha renda de classe média. Já uma artista consagrada com renda muito superior necessita de um milhão e trezentos mil reais para viabilizar um blog pessoal com justificativa que com isso irá desenvolver a cultura do país. É inacreditável que um projeto como esse receba apoio financeiro governamental e seja justificado por essa falácia de desenvolvimento cultural. Aqui no Brasil projetos pessoais são confundidos a exaustão com projetos coletivos. Oportunistas existem em todas as partes e os artistas não escapam a essa regra.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Em busca da felicidade?
Quando menos procurei me realizar com planos miraculosos, profissões burocráticas e dependentes de status social, mais próximo de mim mesmo fiquei. Tão próximo de nós está o equilíbrio e ao mesmo tempo tão difícil enxergar a felicidade que em nós mesmo encontramos. O mundo diz o tempo todo sobre nossa feiúra e incompletude, nossa falta de certezas e de toda infertilidade existente na crueza de nossas almas. Querem nos encher de atavios estranhos, dizer que é ali que iremos nos encontrar. Na roupa da ultima moda, nas novas teorias sobre tudo, no garbo que é a compra de um automóvel novo, nas fotos que tiramos ao lado do Louvre e da Torre Eifel, Cristo Redentor e Estátua da Liberdade. Como se o mundo se resumisse a alguns monumentos espalhados pelos continentes. Não, nada disso deve ser levado a sério. Poucos hoje se espantam consigo mesmo, precisam ver um filme cult, ler Saramago, ir ao Estádio de futebol lotado, pegar mulheres na próxima micareta, ir até o fim do mundo, é preciso muito esforço hoje em dia para se espantar. Eu me espanto comigo e com meus funcionários, nos espantamos o tempo todo. Colocamos a vida numa balança onde desafios são postos, mas ganhar o jogo não é uma obrigação. Vemos a beleza no esforço de tentar mudar pequenos rumos, construir felicidades pequenas e inúmeras ao longo da vida. Sem dinheiro, sem viagens, sem gastronomia refinada. Um papo jogado no meio do dia, uma reflexão que sai de não sei onde no meio da tarde. Se espantar com a surpresa que pode nascer entre nossos dedos, fruto de nós em comunhão com o mundo. Felicidade é tão velada no mundo moderno. Num mundo onde qualquer coisa é passível de ser comprada, sexo, vida, amor, amizade, casas, automóveis, cervejas, felicidade..... Essa ilusão é que torna uma coisa tão simples em algo velado. Felicidade é se olhar no espelho e já saber antes que a imagem se projete diante dos olhos que se é. Eu sou, você é, nós somos. Ser já é digno de qualquer coisa. Por que não, então, não ser feliz apenas em ter conhecimento de algo tão óbvio? Porque o tempo todo procuramos aquilo que não somos e tentamos ser aquilo que nunca seremos, pois já somos desde sempre. Buscar a felicidade? Jamais, quem busca algo que não está perdido, nunca encontrará aquilo que procura.
Por André Siquinelli Nakane.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Minorias e democracia.
Após observar longas e intermináveis discussões a respeito dos direito das minorias e ter assistido ao filme de Quentin Tarantino, "Inglorious Bastards", foi levantando em mim intensas dúvidas e reflexões. O holocausto e o seu imenso apoio popular desvelou como um regime forte pode em dadas circunstâncias aniquilar as minorias em seu direito biológico e político de existir. Portanto, é dever do Estado democrático assegurar o direito dessas minorias existirem e assegurar a sua segurança e igualdade de condições nos mais variáveis âmbitos da vida coletiva, sejam elas políticas, econômicas ou sociais. Em qualquer situação em que essas questões tornam-se matéria de discussões eleitorais, abre-se um precedente perigoso. Haja visto que em eleições preza-se pela conquista do maior coeficiente de votos e não pelas orientações de uma política programática racional. Portanto, o que acontece, hoje, nessas eleições é a abertura de uma porta, onde a satisfação dos valores e crenças de um dado grupo religioso é colocado como prioridade para que a vitória seja alcançada. Tanto PT e PSDB, partidos progressistas de centro-esquerda encontram-se numa cilada, onde questões como o aborto e os direitos dos homossexuais são colocados através de um prisma religioso-moralista. Sendo que ambos possuem tradicional posição de que cabem a essas questões serem discutidas sob o prisma laico e universal do Estado. A sociedade civil brasileira pouco afeita a discussões e, em sua maior parte, alienada de debates mais profundos sobre esses assuntos que influenciam diretamente o cotidiano das relações sociais, cai, consequentemente, num jogo de valores orientado por posições maniqueistas. Para evitar que o obscurantismo da falta de discussão sobre a esfera de direitos seja ele qual for crie ainda mais intolerância, é preciso que a sociedade civil junto com o Estado crie, de fato, espaços de discussão entre os mais variados grupos e segmentos sociais. O choque de valores é crucial para que se evite a construção de valores totalitários e a mitificação negativa do outro. Portanto, sou a favor de uma agenda que coloque em pauta permanente a discussão dos direitos das minorias sob o olhar do Estado democrático de direito. Hoje entendo a importância da teoria de Habermas, nunca foi tão importante levantar essas discussões, colocando o outro em frente ao outro sob a mediação dos valores dos direitos universais.
Escrito por André Siquinelli Nakane.
Escrito por André Siquinelli Nakane.
sábado, 2 de outubro de 2010
Eleições II.
Há dois dias das eleições, fiz o que pude para tirar votos da Dilma. É uma tarefa inglória, tendo tão pouco tempo para me dedicar a prática política. Para isso, resolvi me conectar aos outros pela internet. Joguei vídeos que desvelam o grau de estupidez e ignorância dessa candidata duas caras. Percebi que ela quer agradar a todos, se posiciona em qualquer espaço do tabuleiro dependendo da conveniência. Isso evidencia que ela é a pior candidata, todos fazem isso para ganhar as eleições, mas Dilma vai além. Ela traz esse perfil em sua radicalidade. É fácil pegar dois discursos no qual ela se contradiz. Chega a ser hilário. Uma candidata duas caras, sem alma política, sem personalidade, uma marionete da pseudo-esquerda. Sem alma, pois a alma que nessas eleições ela carregou foi de Lula e alma desse presidente é forte. O fortalecimento do empresariado brasileiro. Em grande parte beneficiado pela estabilidade econômica dos últimos dezesseis anos, fez com que a economia gerasse mais empregos e muitos ascendessem de classe. Uma política que não mudou de orientação e que o PT oportunamente se apropriou. Assim como os programas assistenciais. O PT é uma farsa muito bem montada por Duda Mendonça, José Dirceu e Palocci. Um partido manipulador que não contribui para a mudança substancial da sociedade brasileira.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Centro do Mundo.
Assistindo ao filme "Taking Woodstock", não me lembro o título do filme em português, me deparei com a idéia de centro do mundo. O filme não trata sobre o centro do mundo, mas de um momento onde um evento transformou um lugar desconhecido, pequeno, no palco do festival mais emblemático de todos os tempos. O lugar, uma cidade pequena, poderia ser a casa de qualquer um dos milhares de jovens presentes naquele festival surreal. No entanto, cada qual espalhado na sua cidade interiorana jamais conseguiria tamanho efeito que todos conseguiram se encontrando num mesmo plano, num mesmo lugar. Esse encontro de "hippies" fez daquela pequena cidade o centro "existencial" da cultura norte-americana. Ao mesmo tempo, vendo absorto todo aquele cenário de transformação do cotidiano de uma família perdida naqueles arredores, onde o filho estava preso naquele lugar retrógado por amor aos pais e por pura magia conseguiu levar a si mesmo para aquele lugar através do Woodstock. Um cenário completamente simbólico, ao contrário do que acontece na maioria dos casos, naquele momento ele trouxe a liberdade para a casa, não precisou sair. Junto aos outros milhares de jovens pode criar um ambiente, uma sintonia de valores que não foram aplicados por coerção, discursos, instituições, mas pela experiência de estar juntos no mesmo lugar, criando ritos totalmente contrários aos convencionais. Claro que todo filme possui esse ar de idealização, mas em essência isso realmente aconteceu naquela fazenda. Muitos tratam pejorativamente aquele momento, revelando que tudo não passou de um movimento de doidões afundados em ácido, sexo livre e rock and roll. Eu não vejo desse modo, vejo um momento profundo da cultura norte-americana, onde o novo olhou para o velho e seguiu o seu caminho. Houve excessos, mas isso não é o importante. O importante é quando o novo transformou-se no centro do mundo e passou a ser incorporado por ele. Aqueles valores eram reais e estavam sendo externados, vividos até suas ultimas conseqüências. Por isso fica tão claro a personagem principal quando um daqueles hippies diz que ele é o centro do universo. Em fato, naquele momento mesmo parecendo uma das viagens mais loucas proporcionadas pelo ácido, aquele garoto era, sem dúvida, o centro do universo como todos os outros que ali estavam compartilhando os mesmos sentimentos no mesmo lugar e ao mesmo tempo.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Eleições.
As eleições estão chegando. Até o debate promovido pela Record, eu estava um pouco apático, neutro. Mas logo após constatar o baixo nível do pleito desse ano e me deparar com uma candidata tão marionete quanto Dilma Roussef, resolvi me envolver mais. Ela é um dos quatro candidatos que em nenhuma hipótese terá o meu voto e por que? Primeiro, ela não possui nenhuma personalidade política, pegou carona na popularidade de Lula, ou seja, ela está a sombra de Lula. Portanto, não é o histórico dela que conta na hora em que os eleitores a escolhem, mas o carisma de Lula e o histórico positivo desses oito anos de governo lulista. Segundo, ela é uma candidata fabricada por Lula. Terceiro, para mim, a maior parte da popularidade do presidente e seu governo advém da boa estratégia de marketing que foi instaurada em seu governo, o Brasil não progrediu tanto assim nesses oito anos. Quarto, o partido da estrela é o que mais aparelha o Estado e o que mais usa do fisiologismo para formar alianças partidárias e tornar o país governável. Quinto, o PAC elaborado por Dilma não passou de projetos e papéis nesses últimos anos, tendo feito muito pouco pelo país. Sexto, ela nunca teve experiência como governante, não tem idéia do que é enfrentar pressões partidárias e pressões populares, nunca pleiteou a nada e sempre participou das administrações através dos cargos de indicação ou comissionados. Sétimo, ela não tem carisma. Oitavo, os companheiros de campanha dela não são confiáveis. Portanto, esses são os oito motivos que carrego para fazer campanha contra Dilma Roussef.
No domingo, eu quero sim um país com menos gente metendo a mão no dinheiro do povo. Mais transparência nas relações institucionais, menos fisiologismo, menos corrupção, mais equidade entre os setores sociais e menos privilégios. Por isso, o número treze está descartado da minha urna eletrônica.
No domingo, eu quero sim um país com menos gente metendo a mão no dinheiro do povo. Mais transparência nas relações institucionais, menos fisiologismo, menos corrupção, mais equidade entre os setores sociais e menos privilégios. Por isso, o número treze está descartado da minha urna eletrônica.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Vinte e sete anos.
Estou prestes a completar vinte e sete anos. Inacreditável. Lembro quando eu tinha quinze anos e resolvi imaginar como o mundo seria e o que eu estaria fazendo quando eu completasse vinte e cinco anos. Aos vinte cinco eu imaginava estar empregado na área em que me formei, namorando, morando fora e tendo um certo tipo de autonomia e distância dos meus pais. Nada disso, eu estou trabalhando, mas não sou empregado. Sou empresário e jamais tive pretensão em empresariar qualquer tipo de coisa a não ser a idéia de montar um barzinho de rock aqui em Ribeirão Preto. Eu imaginei várias coisas que não aconteceram, mas isso evidencia a complexidade dos rumos que a nossa vida pode tomar. Temos pouco controle sobre o futuro e não acho isso algo desesperador. É interessante saber lhe dar com as circunstâncias que vão aparecendo e aos poucos ir construindo o seu próprio caminho. Nada é como imaginamos e nisso está a beleza do mundo e da realidade. Aos vinte e sete anos tenho muitos motivos para comemorar. Principalmente o crescimento espiritual dos últimos anos após ter me formado. Aprendi várias ensinamentos da vida e aprendi a jogar as peças nesse tabuleiro de vaidades. Ainda me consome as reflexões sobre a vida, mas não me sinto mais num beco solitário a espera de companhia e redenção. Nem me sinto impotente no pequeno barco em que navego, desafiando ondas e as vencendo dia após dia. Hoje sou o que sou por todo esse caminho onde meus pés uma hora andaram, outrora correram e algumas vezes ficaram parados. Vinte e sete anos, quem diria.
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