Há muito estou aqui, sentando, prostrado, em pé, andando de lá e pra cá, na tentativa de fazer com que dos meus dedos saiam palavras, idéias, teorias, resmungos, qualquer coisa que se faça digna de ser passada a diante. Nesse mundo de conexões, palavras industrializadas, excessos, garimpar dentro de si o que é importante torna-se uma ação diária, constante. Vamos ver no que isso vai dar.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Horário Político, o melhor programa de humor.
Depois que Enéas Carneiro e Clodovil conseguiram uma expressiva votação na ultima eleição para deputado federal, abriram-se as portas para as mais bizarras candidaturas. A frustração e o niilismo tomaram conta dos eleitores. Com isso, candidatos como Tiririca ganham força, atraindo os votos de "protesto". Eu mesmo não acredito na política como a arte da mudança. As barreiras para entrar e se eleger estão tão bem estruturadas que quem quer entrar se enrijece. O cara precisa concordar tacitamente com a forma com que as ações são tomadas pelos que há muito estão ali alicerçados. A mudança, então, ocorre de maneira inversa. A força do novato se volta contra ele, e ele acaba absorvendo as tradicionais práticas de seus antecessores. Portanto, não é o sujeito que transforma a política, mas a estrutura de poder que transforma o sujeito. Lula é um grande exemplo disso. Não foi o Brasil que mudou pelas mão de Lula, mas foi Lula que mudou pelas mãos do governo brasileiro. Portanto, indivíduos, como nós, perdidos no meio de nossa própria desorganização e submetidos a organização alheia, se tornam reféns de decisões de outros que controlam a selva de pedra que nos abriga. Por isso, não me abala o resultado das eleições, pois independente do resultado eu guardo as ferramentas de sobrevivência na minha bolsa e tento me adaptar as mudanças assim como um animal tenta sobreviver em seu meio. Não podemos fazer nada além de traçar estratégias e sobreviver ao jogo. Principalmente se estamos inseridos na lógica do mercado, onde o sistema é bruto, o bicho pega. Não há garantias para o pequeno empresário, se você traçar mal o seu sistema de sobrevivência, o sistema te ferra até a cabeça. Não haverá Estado, nem benefícios, seguridade, porra nenhuma. Petralhas, oligarcas, tucanalhas, nem uma dessas correntes vai lutar por você. Pode ter certeza disso, você está sozinho no meio de uma ilusão chamada democracia, onde poucos decidem por milhões. Depois das eleições junte as suas ferramentas e se vire no mercado, tente não ser enganado, lute por seus interesses e esqueça os seus direitos. Você está na selva e não mais no parque infantil. Por isso, programa eleitoral é tão fácil de ser convertido em programa de humor.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Sobre futuro, vaidade e pensamento
No último post falei sobre Nibiru e a sua trajetória mítica. Toda essa cosmologia fora criada por Zecharia Sitchin. Ele cria um mito épico que narra a origem da humanidade, da civilização com uma roupagem New Age. Ontem assisti pelo youtube uma de suas palestras que ele realizou no lançamento do seu ultimo livro "O retorno dos Annuaki". A pseudo-veracidade do conto épico é a maneira com que ele consegue amarrar em um só enredo todas as antigas culturas, pegando similaridades dos contos míticos antigos e lhes dando a mesma origem. A inventividade da civilização suméria é justificada pelo contato direto que esse povo teve com uma civilização alienígena avançada chamada Annuaki. Aliás, a própria humanidade, segundo ele, fora resultado de experimentos genéticos desses alienígenas com o antigo homo erectus. Até o motivo para que esse cruzamento genético acontecesse é relatado por Sitchin. Segundo ele, os astronautas Annuakis vieram a Terra a procura de minérios, especificamente o ouro. Esse ouro seria utilizado para reanimar a atmosfera comprometida do planeta deles. No entanto, após algum tempo de empreitada o trabalho duro fez com que esses alienígenas começassem a mostrar insatisfação, já que não estavam condicionados ao trabalho duro da mineração. A solução, então, foi criar uma espécie híbrida entre eles e o homem erectus e esse híbrido seríamos nós. E por aí a estória vai se desenrolando. Achei fantástico a maneira com que ele amarra os fatos e lhes dá veracidade, expondo o sentido de tudo, "desvelando" o real significado de passagens bíblicas, etc. No entanto, essa riqueza de detalhes é a força e ao mesmo tempo a fraqueza da veracidade desse conto. Como algo que aconteceu há tanto tempo pode ser montada com esse detalhismo todo através de fragmentos de pouquíssimos textos e ruínas de edificações. Zecharia fala com convicção, pois foram trinta anos de pesquisa. Para os incautos, 30 anos pode parecer razoável para se obter uma boa pesquisa arqueológica, mas não é. Traduzir textos antigos e interpretá-los demanda muito tempo e nem sempre o resultado é compatível com o que de fato existiu. O meu ponto de vista é que todo esse conto não passa de ficção, pois mesmo a hermenêutica bíblica fora deformada através do tempo por brigas políticas e traduções mal-feitas. Chegar a origem do homem com tantos detalhes seria difícil mesmo se nós tivesses a tecnologia de banco de dados que temos hoje. Pessoal, Zecharia é um autor como Tolkien e os hobbits.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Nibiru, o segundo Sol.
Quando ouvi pela primeira vez a música de autoria de Nando Reis, cantada por Cássia Eller, não sabia que o Segundo Sol era um corpo que cruzaria a órbita da Terra a cada três mil e seiscentos anos (3.600). "Quando o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas...". Hoje sou membro ativo da comunidade a profecia maia do orkut. Com todas essas aflições, mudanças radicais do clima, convulsões sociais, violência, desmoralização e perdas de referências éticas da sociedade, a vinda de Nibiru ou o segundo sol parece ser a unica via real para a mudança e transformação do homem enquanto ser. Os fatos para a crença nesse momento são inúmeros. Todos relatados em mitos e histórias das antigas civilizações. Pouco sabemos sobre a nossa própria história e sobre nossos próprios mitos civilizatório, não levamos a sério essas antigas culturas e agora passamos a ser meros especuladores de eventos que foram meticulosamente registrados nas antigas civilizações. Deixamos de lado a sabedoria dos antigos em troca de salário mínimo e bonificações, técnica financeira e administrativa. Mas quando o segundo sol chegar tudo isso se tornará inútil e o homem que souber ouvir as necessidades da terra e saber lhe dar com as sementes é o que conseguirá sobreviver. Penso em tudo o que será necessário, o amor perdido pela terra será, sem dúvida, o mais importante. Não será a terra a propriedade privada do homem, mas a mãe que o alimenta, o pai que o acolhe. A relação irá mudar da água para o vinho ou do vinho para a água, nada será como antes. Talvez, a utopia seja novamente possível a cada três mil e seiscentos anos. Muitos perecerão e o que nasceu em tristeza, se desenvolveu em tristeza também acabará em tristeza. Fico imaginando se Atlântida e outras civilizações perdidas não sucumbiram ao corpo celeste Nibiru, nome esse dado pelos antigos sumérios. Hoje ele é chamado pela NASA de nêmesis, a deusa da justiça. Ontem ouvi o programa Debate Cultural da Band AM do Rio de Janeiro, o assunto era a vinda do corpo celeste Nibiru. Tive pesadelos a noite, acordei com torcicolo. Parecia que minha alma queria sair do corpo e ir direto para os entes oniscientes sobre os fatos futuros. Mal presságio? Não sei. Não sei se serei um dos sobreviventes ou um dos bilhões que irão perecer. Pensar nisso é besteira. Vou amar o máximo a Terra, essa mãe que nos acolhe, amar ao máximo meus irmãos e me desprender das bobeiras que tantos nos distraem nessa vida efêmera. É só, amigos. Abraços e paz a todos.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Mais pra cima nos próximos textos.
O Luis falou pra que eu escreva textos mais alegres nesse blog. Ele tem toda a razão. Afinal, eu e meus amigos não estamos mortos e temos muita sede de vida ainda e espero que assim seja até o dia que não estaremos mais presentes nesse mundo. O Lucas disse que o blog é muito egocêntrico, concordo também. No entanto, toda a mídia fala sobre política, cultura e outros problemas sociais. Esse mini-espaço virtual, então, será usado pra falar sobre as nossas próprias histórias individuais mesmo. São tantas coisas a serem grafadas aqui e tantas outras a serem escritas no decorrer de nossas vidas. Antigamente eu tinha a impressão que a amizade tinha tempo para acabar. Sim, algumas amizades parecem ter prazo de validade. Mas com Luis, João, Marco, Lucas e Marcelo, aprendi que amigos pra valer mesmo são poucos. Não é questão de se fechar em um grupo seleto, não é nada disso. Nesse círculo de amigos cada um tem o seu tipo de pensamento, a sua maneira de ser, de se portar, se vestir. Cada um com a sua individualidade e todos unidos por aquilo que entendemos como amizade. Hoje estamos todos enfrentando os maiores desafios de nos tornarmos adultos. Eu lembro dos dias em que era uma grande diversão ir até o apartamento do Lucas, das tantas vezes que eu e ele falamos sobre política, garotas, futebol. Era grande a sensação de olhar para o teto do apartamento e ver que eu não estava caminhando rumo ao desconhecido sozinho. Incríveis foram as noites em que sem carro, andávamos por ruas e avenidas de Ribeirão. A sensação de cruzar a noite junto daquele grupo, isso era ser adolescente. Tocar violão nos churrascos, comprar guitarras, ouvir Guns and Roses. Um momento especial foi tocar One in a Million junto com o João na praca da Matriz em Delfinópolis. Inesquecível. Eu e João, os dois perdidos no meio de uma cidade pequena, esquecidos pelo mundo, tocando Guns naquele violão de doze cordas. Outro momento inesquecível foram as viagens e acampamentos. Lembro do dia em que fomos a praia. Eu fiquei abismado. Andando pela praia com meus amigos, o meu silêncio incomodava o Lucas, ele achava que eu estava triste por guardar tanto silêncio naquela caminhada. Na verdade, eu olhava para o horizonte e via que estávamos crescendo juntos, eu não estava mais no apartamento dele, comendo os deliciosos cafés da tarde que a Lúcia fazia. Nós estávamos numa praia, sozinhos. Uma aventura verdadeira e unica. Eu amo meus amigos e acho que irá ser assim sempre. Estamos passando pelo limiar do tempo, deixando de vez a adolescência. Iremos leiloar nossas gravatas em nossos casamentos e iremos ao batizado de nossos filhos, faremos viagens com nossas famílias e seguiremos, tenho certeza disso. A linhas do horizonte daquela praia de Itamambuca não me deixa enganar.
Iron Maiden.
Estou baixando a discografia inteira do Iron Maiden. Lembro quando a Amanda Rivoiro me deu de presente o álbum Piece of Mind. Um disco de mil novecentos e oitenta e dois, ou seja, eu nem tinha nascido quando a banda produziu aquelas músicas. The Trooper, uma música mágica com um solo de arrepiar os pêlos, técnica, melodia e velocidade. Meu passado foi muito roqueiro, me recordo dos tempos em que eu passava tardes e mais tardes em lojas de discos. Era uma grande sensação pegar aqueles CDs e ouvir faixa por faixa. Hoje tudo isso acabou. Eu jamais conseguiria na minha adolescência ter em mãos toda a discografia do Iron. Agora posso ter esse tesouro musical a qualquer momento. Quando eu tinha dezesseis anos, juntava a mesada mês a mês e torrava tudo em CDs. Nessa disciplina de consumir CDs, colecionei mais de CEM álbuns de rock. No entanto, em dois mil e dois, minha república foi assaltada e eu perdi o meu toca-disco e todos os meus CDs. Hoje pouco me resta daquela época devido a esse assalto. As minhas camisas de banda ficaram gastas e velhas, a minha mãe jogou fora todas elas. Dei minha única bandeira do Guns para o Luis. Vendi a minha guitarra para o Lucas e depois o meu contra-baixo para a banda Estamos Aí. Troquei meu violão de doze cordas por um violão de náilon. Acho que não conservei nenhum objeto dessa época. Uma época marcada por barzinhos, pouca grana, muito rock, muitas madrugadas em claro, andando a esmo pelas ruas desertas de Ribeirão e Araraquara. Quantas vezes não andei com meus amigos de bar em bar, quantas vezes não fomos ao bronze curtir Senhor X? Foram inúmeras vezes. Foi uma grande fase. Sem garotas, mas com inúmeros projetos ao som de Purple Haze e Cocaine. Eu tenho uma foto que vale por toda essa fase. Uma foto que tirei em Araraquara, onde eu estava encostado na placa da rua Humaitá com calça rasgada e camisa do Led.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Cansado II
Acabei de acessar o YouTube e constatei que todo áudio da série Anos Incríveis foi vetado por conta dos direitos autorais. No começo fiquei perplexo e puto da melhor maneira burguesa, mas depois entendi que o seriado e a música foram produzidos por uma empresa capitalista que não tá nem aí se você é um fã declarado ou não. Se você quer assistir, tente algum canal que pagou algum contrato para transmitir o programa ou compre um DVD da série original. Eu não vou comprar absolutamente nada, meu compromisso com a série é sentimental e nada comercial. Eu queria passar o meu tempo, assistindo a série, me distrair. Lembro de vários capítulos, lembro de Kevin Arnold e seu amor e afeto pela Winnie Cooper, por seu pai, sua mãe, seus amigos e seus irmãos. Minha adolescência foi marcada por aqueles capítulos, a intensidade mental daquele recordar o passado. Eu não tive a minha Winnie Cooper, hoje, relembrando o seriado, tenho certeza que Kevin fora um privilegiado. No começo da minha infância tudo o que eu queria era ser jogador de futebol, depois na adolescência eu queria ter uma banda de rock, depois partindo para a idade adulta meu desejo era ser um grande intelectual, escritor. Não me tornei em nenhum dos meus antigos desejos. Hoje nem posso mais jogar futebol por causa de uma lesão crônica no ombro. Na guitarra me achei um medíocre, mesmo tendo todo o tempo e condições eu nunca conseguirei tirar uma melodia que preste nesse instrumento mágico. E agora também não tenho mais esperanças de escrever um livro que preste, um trabalho digno de um verdadeiro intelectual. Aliás, dificilmente escreverei um livro. Sendo assim, o nada dos outros antigos sonhos será o nada para esse sonho que está prestes a morrer como os outros. Calcificado aqui no comércio, pensei em melhorar e me tornar um médio empresário com um pouco de sucesso material. Não, eu não tenho mais esperanças que isso irá ocorrer. Não há conspiração que impeça os meus projetos. Talvez, seja esse meu ego que não se equilibra, talvez seja a falta de malícia, falta de inteligência, falta de alguma coisa que eu não tenho como a maioria das pessoas. A maioria fracassa por isso o sucesso é superestimado. Parece que o fracasso é um símbolo que ira me acompanhar pelo resto dos meus dias. Será uma lente onde estarei condenado a ver meu passado. Tudo deu errado, nada deu certo. Não houve uma Winnier Cooper, mas a idéia de uma Winner Cooper, não houve um time de futebol, nem banda de rock and roll e jamais existiram páginas bem escritas como tanto sonhei.
Cansado.
Eu estou cansado. Cheguei no meu limite. Minha namorada brigou comigo e eu nem mesmo sei o por quê? O fato de eu não ter entrando no msn não justifica e de não ter atendido ao celular também não. Era só ligar direto na minha casa e eu estava lá sentado no sofá, assistindo ao jogo da seleção brasileira. Além do mais, esse mês de agosto está sendo um verdadeiro fracasso. Outra loja de ração abriu na vizinhança e o cara cotou o preço de todas as minhas rações. Certamente, está vendendo as mesmas rações que vendo por um preço melhor. Estou sendo ferrado de todos os lados. Aos poucos a vontade de continuar vai me deixando. Não estou a fim de fazer absolutamente nada hoje. Quando eu mais preciso as pessoas que mais amo me deixam completamente só. Eu me entreguei sinceramente à loja e a essa garota. De corpo e Alma. Na minha vida sempre foi assim. Na infância foram meus pais e meus irmãos. Hoje tenho um relacionamento frio com a minha família, mas nem sempre foi assim e eu me lembro muito bem de como era antes de eu me tornar uma pessoa gélida. Parece acontecer o mesmo agora com a minha namorada. Isso me deixa angustiado. Sem mais nem menos, eu começo a tomar porrada. Eu não tô conseguindo escrever, né? Não, eu não estou. Tá uma droga todo esse depoimento. Não quero voltar a ser vítima da conspiração astrológica do mundo. Eu estou verdadeiramente cansado disso tudo. Trabalhar o dia todo e todos os dias da semana. Estou cansado de não ser respeitado e de ter o meu amor usado contra mim. Estou cansado do mundo, estou realmente farto de tudo. Queria deixar tudo pra lá, não quero começar nada novo, quero deixar tudo, tudo mesmo pra lá. Bom, não estou raciocinando bem. Estou cansado e é só.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A espera do segundo sol.
Estou aqui sentado a espera do segundo sol. Nós que somos infelizes com a convivência desse sol solitário. Estou a beira da meditação, afastando esse caos ordenado em meses, dias, anos, séculos e segundos, horas e minutos. Quem nunca esteve a espera da salvação? Ontem foi um dia tragicamente parado, hoje o mesmo de ontem se repete. Tudo parado, trágico! Até meus pensamentos pararam, tudo parou. Meus pés doem nesse descanso forçado. Voltarei mais tarde e nenhuma novidade terá vez nessa paradeira toda. Enquanto as ruas se fazem falsamente paradas, a agricultura e a indústria não param de sacrificar bilhões de litros de água limpa a fim de sustentar a nossa tal sonhada sociedade de consumo. Aqui em Ribeirão Preto a cana não pára de ser queimada, fumaça e mais fumaça a cada dia trabalhado. Por isso aproveito esse ilusório senso de paralisia e sigo pensando e meditando a respeito do segundo sol. O messias que virá do nada que o precede para o tudo que nos resta para além do nosso alcance de esperar.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Como o tempo passa.
Nesse exato momento estou tentando cancelar a máquina da redecard. Para o homem médio cancelar serviços por telefone é uma verdadeira tarefa hercúlea. Você não tem a quem se dirigir, não tem com quem reclamar, se torna refém de esperas intermináveis ao telefone. É inacreditável o que acontece, como se você tivesse um contrato vitalício em pagar por serviços que não mais te interessam. Chega a parecer até ser uma maldição compulsória como taxas que pagamos cegamente mesmo sendo de uma exploração absurda. Ontem foi um bom dia, descansei bastante e esqueci a existência de SAC. Passei o dia sem pensar em nada. Adormeci ao lado de Fabiana, passei o dia todo com ela. Foi bom, sinto uma paz muito grande quando estou com ela. O sábado a noite não foi fácil, o stress diário às vezes me torna uma pessoa instável. Mas ela conseguiu entender e eu vi que exageros nos fins de semana são coisas ruins que devem ser deixados para as segundas-feiras. No final de tudo a vontade de ficarmos juntos e em paz se sobrepôs a todo mal que nos separa. E assim vamos caminhando dia a dia. Tenho vinte e seis anos somente, pouca idade e tenho consciência disso, mas não me iludo, achando que a infinidade das coisas me torna ridículo. Hoje, mais do que nunca, valorizo as coisas que me cercam, tento tirar tudo o que posso delas e dar tudo de mim pra elas. Saciar com o alimento que está ao alcance para matar a fome e saciado aproveitar o tempo com outras coisas menos vitais. Consegui, finalmente, cancelar essa máquina. A paciência é sábia em horas onde o tempo está a seu favor. O pessoal do SAC queria colocar o tempo contra a minha inteligência, mas eu sabia que no fundo o tempo estava a meu favor o tempo todo. Espera, espera e verá. Cancelei e agora o tempo é meu, economizarei mês a mês um aluguel que me tirava 100 reais por mês. Com essa grana vou pra Porto Seguro com a minha namorada. Valeu a pena esperar e ter paciência. Como o tempo passa e passa para todos e todos podem se sentir agraciados, pois é com o passar do tempo que o movimento se faz presente e é possível sentir e captar a existência da vida. O Domingo se foi, vem a segunda e depois a terça e assim até Janeiro quando as ondas do mar baiano lamberem as minhas canelas.
sábado, 7 de agosto de 2010
Ajax
Ontem o dia passou voando como Ajax. Não tive chance nenhuma de articular o blog, criar alguma relação reflexiva com esse mundo infinito das conexões. Trabalhei a mil. Como um mediador de rações, mercadorias, recebi e passei para frente diversos produtos. É estranho. Uma relação superficial com as coisas que me mantém concretamente vivo. Mas o que é concreto? E, talvez, muito mais o espírito me mantém vivo do que notas de dez reais. Não sei. Também não me importa saber. Medir a importância das coisas é mais importante. O blog é muito importante nesse tempo de escassez. Outrora havia excesso de tempo livre para reflexão e isso me tornava um homem excessivamente melancólico. Hoje o pouco tempo que tenho para o livre-pensamento me torna um homem brutalmente seco. Muitos dizem que a dimensão do homem está na maneira com que ele se articula com as circunstâncias. O homem medíocre é aquele que é moldado pelas circunstâncias, já o homem excepcional é aquele que torna-se senhor das circunstâncias. Eu não sou nem um nem outro. Eu danço com as circunstâncias e vou levando-a e ela me levando, sem nunca saber onde será o meu ponto de chegada. Se é que há de fato um ponto de chegada. Portanto, mesmo que haja obstáculos a serem vencidos, no ato de agir é muito mais importante enxergar as oportunidades, enquanto no ato de refletir é mais saudável observar o que há de barreiras, obstáculos. Então, a máxima de Gramsci faz todo o sentido, o otimismo da ação e o pessimismo da crítica. A boa relação entre agir e refletir torna o homem um ser inteligente, faz dele ele mesmo. Antes havia o excesso da reflexão e o pessimismo tomava conta de tudo o que me cercava, hoje há o excesso da ação e um certo Cândido toma conta do meu espírito. Nem um nem outro devem ser levados a sério. Há que se buscar o meio-termo como ditava o comedido e sábio Aristóteles, evitar os excessos é uma postura sábia e se foi assim na Grécia antiga continua a ser até os dias atuais. A junção dessas duas posturas é poderosa. Lembro do super-homem de Nietszche. E esse tal conceito pode parecer espetacular se levado na brincadeira, mas tomando o como uma meta pode ser um conceito para lá de possível e real.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Após o Crepúsculo a espera do nascer do sol.
Acabei de chegar da casa da minha namorada. Hoje ela esquentou a janta e depois fomos na sorveteria. Eu estava tremendamente cansado, o dia foi cheio de altos e baixos. Divaguei muito sobre a minha profissão e percebi o quanto me faz falta a erudição e o ato de escrever. Afinal de contas, o comércio me toma quase todo o tempo, cerceando muitas atividade que antes faziam parte do meu cotidiano. Estou num momento onde lembrar do passado e sentir o peso morto de tantas memórias me faz languidamente nostálgico. Não, eu não tenho nenhum afã pelo passado, nem sinto remorso pelo presente. Estou muito bem posto nesse cenário que me encontro. O meu "afair" pelo passado é conseqüência das minhas crescentes divagações sobre pessoas que ficaram perdidas no caminho. Olhando para trás, lembro de situações e circunstâncias que nunca mais irão se repetir, presas naquele momento que só se reaviva quando puxadas pelo precário ato de recordar. Fiquei desse jeito a tarde e um pouco na parte da manhã. Só voltei a mim e as coisas vivas e coloridas quando Fabiana, a minha namorada, abriu a porta e me abraçou. Eis, então, a importância da pessoa que não ficou para trás, mas que caminha comigo todos os dias dessa passageira vida. Pensei no poderoso conceito do que é amar, pensei em seu sentido intelectual, partindo de mim mesmo, da minha experiência real. Percebi que o Amor, talvez, seja essa atração dos movimentos entre dois seres como eu e a minha namorada. Uma atração que faz com que caminhemos juntos por toda a jornada de nossa existência. Amar é esse dia a dia de querer estar sempre se relacionando, seja por meio de afagos, diálogos, troca de e-mails, recados, mensagens de celular, ligações telefônicas, msn. Eu sempre fui muito adepto do Amor platônico, irreal. Hoje o meu Amor é tão presente, tão concreto, tão palpável. Olho para trás e vejo o quanto me relacionar e amar a minha namorada me fez outro, me deu energias e conhecimento para crescer, aprender a ser e não apenas desejar. Hoje olho meus antigos textos e tenho uma impressão de que eles são tão irreais na medida em que esse meu eu foi deixado há tempos para trás. No entanto, as formas, o estilo e a maneira de conceber os sentimentos em nada mudaram. Ainda sou um ultra-romântico e apaixonado pelo lirismo do canto, a única diferença é a maneira de me portar diante do mundo e suas possibilidades. Eu amo tanto a Fabiana e gosto tanto de ficar em seus braços jogado no sofá. Aprecio ficar sozinho com ela, ter sua boca sussurrando dialetos de carinho em meus ouvidos. Afagos e mais afagos de seus braços e abraços. Como desejar voltar ao passado onde Fabiana era apenas uma idéia distante se hoje eu a tenho bem firme em meus braços? Como? Não, eu amo abrir a porta e ver que para além do poema mais bonito a minha mulher existe e se encontra em meus braços.
05 de Agosto de 2010.
Hoje o dia foi terrível. Comecei cobrando a conta de um senhor que iria vencer hoje. A senhora dele veio comprar rações para os pássaros e para o gato. Obviamente, ela não sabia que a conta havia de vencer no dia de hoje. Assim ela veio desprevenida, eu deixei que ela fosse embora de mãos com a mercadoria, no entanto, alertei para o que estava para acontecer. A conta havia de vencer hoje. Falei para que ela avisasse o marido o quanto antes, para que embaraços fossem evitados num futuro próximo. Meia hora depois, o velhinho chega com duas pedras na mão e muitos palavrões na boca. Caso isso tivesse acontecido meses antes, eu teria reagido com a mesma força. Não entrei nessa onda de caos e raiva. Fiquei quieto com o coração a pulsar pela garganta e o corpo a tremer. Às vezes o comércio não me faz bem, me contive e apenas falei que não iria entrar em discussão. O velhinho com seus oitenta anos encarnou o orgulho dilacerante dos que odeiam e aproveitou a ocasião para me chamar de vagabundo seguidas vezes. Eu ouvi tudo e não reagi. Sei que todos esses anos que dei crédito a ele para que ele pudesse comprar e alimentar seus animais foram dilacerados no instante em que de fornecedor me tornei vagabundo aos olhos do velho. Vejo quanto o ódio se sobrepõe a tudo quando é o orgulho que o calcifica. Eu não fui nada mais para o velho. O triste fato é que isso me afetou, mesmo que a minha relação com ele nunca tenha passado de uma troca de ração por notas de cinco e dez reais. Isso sempre terá um peso, mesmo que morto, na minha vida. Depois disso, tive vontade de cuidar com mais zelo dos meus sentimentos e protegê-los ao som das espadas de anjos a bradar o coração dos justos. Hoje eu fui um bom homem na pior das horas e isso mostra o quanto cresci nesse tempo todo. Me vi melhor e isso causou um grande conforto mesmo em meio ao ódio alheio.
Desvirginar as páginas.
Esse é o primeiro texto desse blog. Eu poderia me contentar com as frases do twitter, mas não possuo habilidade tão grande pra criar pequenas sínteses. Também não faz parte de meus dedos a produção industrial de textos, não escrevo o tanto que gostaria. Tentarei escrever todos os dias nesse mesmo horário. Nessa redoma de ponteiros crepusculares, nesse instante em que o sol se vai para voltar somente num amanhã que ainda não criou identidade, memória. Não será fácil ultrapassar essas linhas, há tempos que nada produzo. Não que eu tenha sido algum dia um prolífico escritor. No máximo saiam de minhas entranhas três pequenos textos por mês, não me recordo ter feito mais do que isso. Eu cursei ciências sociais, me formei em 2005. Não trabalho com nada relacionado a essa área. Muitos dos meus colegas me consideravam um aluno brilhante, alguns professores também. Modéstia a parte, acho que sempre fui mediano ao extremo. Eu era um cara esforçado e nada mais, tentando ir um pouco além daquilo que a sala de aula nos passava em forma de melodiosas palestras. Claro que nem todas as aulas eram melodiosas, muitas eram tediosas, outras ruidosas, algumas me tiravam a vontade de aprender. Durante quatro anos vivi em uma república com pouca estrutura. Eu e meus amigos abdicamos de internet, televisão, rádio e qualquer outro tipo de mídia eletrônica. O jornal escrito era a única porta que me mantinha ligado ao que estava acontecendo de "importante" fora do campus. Foram quatro anos mergulhado em textos complexos, numa vida cheia de reflexões, pedaladas, caminhadas intermináveis, comida fria, roupa mal lavada, conversas que atravessavam a noite, festas de terça e quinta-feira, tardes bem dormidas e noites mal-dormidas. Nessa época minha maior pretensão era fazer pós-graduação, eu queria traçar a tão aclamada carreira meteórica. Eu estava sob pressão. Meu pai estava quebrado, não havia mais condições econômicas de me manter onde quer que eu estivesse estudando. Foi nessa derradeira fase de pressões e incentivos que a minha precoce carreira acadêmica acabou. Não culpo meu pai, eu mesmo sabia que era hora de ganhar responsabilidades e ajudar a família a sobreviver. Eu mesmo me tirei da academia. Não tive incentivo de professores, os corredores da UNESP de Araraquara eram apenas corredores vazios, não tirei nada de lá que pudesse me fazer sentir pesquisador. Hoje vejo que realmente eu não passei de um fantasma a vagar pra lá e pra cá na procura de alguém que pudesse me auxiliar, antes eu pensava que os fantasmas eram os professores. Ironicamente, hoje eu sei que eu era o fantasma. Mesmo carregando esse ar pictórico de fantasma na memória, sei que nada foi em vão. Eu sentia grande sensação de pertencimento ao caminhar pelos corredores, pelas vias de acesso, pela biblioteca, pelos banheiros, anfiteatro, restaurante, pólo computacional, a sala do grupo de estudos, eu era estudante de lá com certeza. Hoje não mais, pois tudo passa e tudo que um dia foi familiar hoje não passa de vigas estranhas e salas repletas de desconhecidos. Não, hoje eu não sou mais um estudante de ciências sociais, apenas carrego a alegria de um dia ter sido e nada mais.
Assinar:
Comentários (Atom)
