quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sobre futuro, vaidade e pensamento

No último post falei sobre Nibiru e a sua trajetória mítica. Toda essa cosmologia fora criada por Zecharia Sitchin. Ele cria um mito épico que narra a origem da humanidade, da civilização com uma roupagem New Age. Ontem assisti pelo youtube uma de suas palestras que ele realizou no lançamento do seu ultimo livro "O retorno dos Annuaki". A pseudo-veracidade do conto épico é a maneira com que ele consegue amarrar em um só enredo todas as antigas culturas, pegando similaridades dos contos míticos antigos e lhes dando a mesma origem. A inventividade da civilização suméria é justificada pelo contato direto que esse povo teve com uma civilização alienígena avançada chamada Annuaki. Aliás, a própria humanidade, segundo ele, fora resultado de experimentos genéticos desses alienígenas com o antigo homo erectus. Até o motivo para que esse cruzamento genético acontecesse é relatado por Sitchin. Segundo ele, os astronautas Annuakis vieram a Terra a procura de minérios, especificamente o ouro. Esse ouro seria utilizado para reanimar a atmosfera comprometida do planeta deles. No entanto, após algum tempo de empreitada o trabalho duro fez com que esses alienígenas começassem a mostrar insatisfação, já que não estavam condicionados ao trabalho duro da mineração. A solução, então, foi criar uma espécie híbrida entre eles e o homem erectus e esse híbrido seríamos nós. E por aí a estória vai se desenrolando. Achei fantástico a maneira com que ele amarra os fatos e lhes dá veracidade, expondo o sentido de tudo, "desvelando" o real significado de passagens bíblicas, etc. No entanto, essa riqueza de detalhes é a força e ao mesmo tempo a fraqueza da veracidade desse conto. Como algo que aconteceu há tanto tempo pode ser montada com esse detalhismo todo através de fragmentos de pouquíssimos textos e ruínas de edificações. Zecharia fala com convicção, pois foram trinta anos de pesquisa. Para os incautos, 30 anos pode parecer razoável para se obter uma boa pesquisa arqueológica, mas não é. Traduzir textos antigos e interpretá-los demanda muito tempo e nem sempre o resultado é compatível com o que de fato existiu. O meu ponto de vista é que todo esse conto não passa de ficção, pois mesmo a hermenêutica bíblica fora deformada através do tempo por brigas políticas e traduções mal-feitas. Chegar a origem do homem com tantos detalhes seria difícil mesmo se nós tivesses a tecnologia de banco de dados que temos hoje. Pessoal, Zecharia é um autor como Tolkien e os hobbits.

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