Há muito estou aqui, sentando, prostrado, em pé, andando de lá e pra cá, na tentativa de fazer com que dos meus dedos saiam palavras, idéias, teorias, resmungos, qualquer coisa que se faça digna de ser passada a diante. Nesse mundo de conexões, palavras industrializadas, excessos, garimpar dentro de si o que é importante torna-se uma ação diária, constante. Vamos ver no que isso vai dar.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
05 de Agosto de 2010.
Hoje o dia foi terrível. Comecei cobrando a conta de um senhor que iria vencer hoje. A senhora dele veio comprar rações para os pássaros e para o gato. Obviamente, ela não sabia que a conta havia de vencer no dia de hoje. Assim ela veio desprevenida, eu deixei que ela fosse embora de mãos com a mercadoria, no entanto, alertei para o que estava para acontecer. A conta havia de vencer hoje. Falei para que ela avisasse o marido o quanto antes, para que embaraços fossem evitados num futuro próximo. Meia hora depois, o velhinho chega com duas pedras na mão e muitos palavrões na boca. Caso isso tivesse acontecido meses antes, eu teria reagido com a mesma força. Não entrei nessa onda de caos e raiva. Fiquei quieto com o coração a pulsar pela garganta e o corpo a tremer. Às vezes o comércio não me faz bem, me contive e apenas falei que não iria entrar em discussão. O velhinho com seus oitenta anos encarnou o orgulho dilacerante dos que odeiam e aproveitou a ocasião para me chamar de vagabundo seguidas vezes. Eu ouvi tudo e não reagi. Sei que todos esses anos que dei crédito a ele para que ele pudesse comprar e alimentar seus animais foram dilacerados no instante em que de fornecedor me tornei vagabundo aos olhos do velho. Vejo quanto o ódio se sobrepõe a tudo quando é o orgulho que o calcifica. Eu não fui nada mais para o velho. O triste fato é que isso me afetou, mesmo que a minha relação com ele nunca tenha passado de uma troca de ração por notas de cinco e dez reais. Isso sempre terá um peso, mesmo que morto, na minha vida. Depois disso, tive vontade de cuidar com mais zelo dos meus sentimentos e protegê-los ao som das espadas de anjos a bradar o coração dos justos. Hoje eu fui um bom homem na pior das horas e isso mostra o quanto cresci nesse tempo todo. Me vi melhor e isso causou um grande conforto mesmo em meio ao ódio alheio.
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